quinta-feira, 8 de abril de 2010

Várzea

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Mengálvio, ex-meia do Santos, em telegrama mandado a família quando em excursão à Europa:
"Chegarei de surpresa dia 15, às duas da tarde, vôo 619 da VARIG..."


Vai começar finalmente o futebol brasileiro em 2010.
Você deve estar pensando:
"esse cara estava em coma desde janeiro e só acordou agora?"
Não, não estou.

Nos dias de hoje, chega até a ser desnecessário dizer que os campeonatos regionais não atraem muita atenção.
Quais serão os finalistas?
É quase óbvio.
Quase, claro.
Mas mesmo o erro já não vem cheio do sentimento de surpresa.
Alguém realmente se assusta se o Caxias chegar à final do gauchão?
Ou mesmo se o Ipatinga fizer o mesmo?
"Provavelmente vai perder a final", dirá o apressado, já com desdém.
Mesmo se não perder, a única coisa que aconteceu foi a redução ainda maior de interesse na
finalíssima.
Extinguiu-se a chance do clássico, talvez o único jogo interessante desse tipo de competição.

Claro que deve-se honrar as tradições de um Villa Nova-MG, Juventude, Vila Nova de Goiás, Guarani, etc.
São times, se não centenários, quase.
Com torcidas, mesmo bem menores aos chamados grandes, tão apaixonadas quanto.
(*O Vila de Goiás até onde sei é, se não a maior do estado, quase.)

Mas o mundo é dinheiro e mídia.
Pergunte para um torcedor santista se ele se interessa mesmo pelo paulistão e ele dirá:
"se for pra ganhar do Corinthians, lógico".
É esse o interesse, pelo menos dos torcedores dos chamados times grandes.

Eles querem mesmo e ver o time papar a Copa do Brasil, Libertadores, Brasileiro.

A fórmula de campeonatos regionais, independente de tradição ou não, simplesmente não atrai mais o
torcedor recente, "moderno". Principalmente os das capitais.

Todo mundo sabe, mas ninguém quer ver, que o estadual é usado como laboratório/pré-temporada pelos treinadores dos times grandes.
Que os times menores, independente à tradição, montam seus times faltando uma semana pra competição.
Que o estadual, no fim das contas, só serve mesmo ao time grande para gerar crise, caso ele perca para o rival no fim.

O futebol brasileiro começa agora, em abril.
Pelo menos para o torcedor.
Quando é criada a expectativa sobre qual grande vai ter uma crise por ter perdido a final do seu
estadual.
Quando a Copa do Brasil larga a obviedade e no máximo sobram poucas zebras.
Quando a Libertadores deixa a fase de grupos, normalmente entediante para brasileiros e argentinos.
Quando, finalmente, no mês de maio, o brasileirão começa.

Vai começar finalmente o futebol brasileiro em 2010.


Jardel, ex-craque do Gremio:
"Clássico é clássico e vice-versa...
"
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terça-feira, 2 de março de 2010

Quem gosta de vitória é capixaba

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"o jogador tem que ser como o pato; que é aquático e gramático"
Vicente Matheus, surreal ex-presidente do Sport Club Corinthians.


Dizem que quem gosta de títulos é contador.
Vou contar uma vez que ganhei um título no futebol.
Jogamos eu, Rodolfo Rodrigues no gol.
Luizinho na zaga, junto com Gaúcho.
Cerezo fazia a contenção, e passava para Falcão, que dominava, e escolhia entre Zico, Éder ou Maradona no meio, ou Júnior por uma ponta ou Sérgio Araújo pela outra.
Sei que Bobô (lembra dele?) colocava a pelota para dentro do filó.
Assim foi fácil sermos campeões.
Atropelamos os meninos da rua, os da escola, os do bairro.
Fácil demais.
Futebol tinha pontas; esquerda e direita.
Sempre quis ser ponta.
Mas tinha gente boa demais pra isso na época.

Eu nunca prestei pra jogar futebol.
Fui campeão de futebol de botão.
Atropelava os meninos da rua, os da escola, os do bairro, como escrevi.
Pelo menos durante um tempo.
O prêmio vinha da vaquinha dos participantes.
Um time de botão novo, quem sabe um troféu usado, comprado em um bazar.
Não tinha coisa melhor, para quem não sacava dentro das quatro linhas, tentar fazer sua seleção fora dela.
Com meu time eu ganharia duas copas, fácil.
Talvez.

Time tem de ser bem escalado, não adianta ter só estrelas, e não adianta ter só peões de xadrez.
É a mistura dos dois que faz um time competitivo, vencedor, quem sabe campeão.
Quem sabe campeão?
Futebol está cheio de craques em sua história.
Figuras fabulosas.

Mas, e os carregadores de piano?
O goleiro só é lembrado quando toma gol?
E o beque, que não fura no alto?
E o lateral voluntarioso, que aos 40 do segundo tempo ainda corre atrás do veloz atacante, mesmo sendo menos habilidoso que este?
Menos habilidoso.
Nem por isso, menos útil ao time.

Futebol não é futebol de botão.
Não se joga sozinho.
São 11 contra 11.
E, se é para citar outro desses bordões do futebol, tasco essa aqui:
O que vale é a união do time.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Falta Malandragem

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"Você viu Didi, o São Cristóvão está de uniforme novo!"

Esta foi uma frase disparada por Garrincha, ao ver entrando em campo a seleção inglesa na Copa do Mundo no Chile em 1962.
Não acredito que Garrincha ali desdenhava qualquer jogador do escrete inglês.
Acredito sim, que o destino do desdém era a parafernália, o espetáculo, que no fim das contas se resume, sem poesia: a um gramado, pouco mais cuidado do que o destinado ao agronegócio, com onze marmanjos de cada lado, dois grupos, vestidos em cores berrantes, a correr atrás de uma bola costurada em gomos, tentando empurrá-la, preferencialmente com os pés, para dentro de uma armação geométrica chamada 'trave'.
Faltou aí uma coisinha só, talvez duas.
Uma delas é a diversão.

Tal qual uma horda de bárbaros, ao se colocar como um dos dois times, ou quem sabe nem isso, apenas assistindo, simpatizando, ou quem sabe até mesmo torcendo por um destes, o interesse individual é dispersado e surge um único sentimento, compartilhado entre os de mesmo interesse, e de forma proporcional, ridicularizado pelo grupo contrário.
Adversário.
Quem sabe até, inimigo. Antes de tudo, uma brincadeira, claro.
Talvez aí esteja a segunda coisa que falta muito, em vários lugares, a várias pessoas, para separar futebol daquele parágrafo tão frio escrito lá em cima.

Falta diversão.
Falta espírito.
Falta malandragem.
Talvez, falte amadorismo.
Futebol se tornou algo muito profissional, frio.
Garrincha quando soltou essa frase, apenas tentou evocar de volta o espírito da coisa.
Reduzir os espaços.
Diversão.
E malandragem.

O que faz e sempre fez o futebol brasileiro ser diferente de qualquer outro no mundo, sempre foram essas duas palavrinhas, juntas: diversão e malandragem.
Você assiste hoje a qualquer programa esportivo destinado ao futebol, e quando você vê um jogador sendo entrevistado, de preferência no centro de treinamento de sua equipe, logo que ele termina a frase, logo lhe bate um sentimento: "já ouvi isso antes"
Com certeza.
O jogador de futebol hoje tem mais pessoas em sua volta, 'cuidando' de sua carreira, que o filho bebê de qualquer rainha, em qualquer reinado.
Logo, vai-se embora o improviso, o toque malandro, as vezes até a genialidade, seja dentro, ou fora do campo.

Cresci vendo Romário e Edmundo na TV.
Dois jogadores fantásticos.
Mas, mais que as jogadas, o que sempre me fazia querer vê-los, mesmo eu, torcedor de um time que nunca os teve em seu elenco, era a malandragem, a provocação, as frases de efeito, dadas no calor do momento, o penalti intencionalmente dado pra fora para não ferir o time adversário, pois era o time de coração do batedor, que estava no outro apenas como 'profissional'.
Time do coração.
Que os boleiros do século vinte e um ainda tenham um.
E sejam malandros.

“Campeonatinho mixuruco, nem tem segundo turno.”
Garrincha, após a conquista da Copa do Mundo, 1958
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Em breve

Alex Queiroz vai estar publicando seus artigos e suas opiniões no Bate Pronto um blog surpreendente. Aguardem!!!!